Gil Azevedo: "Temos os ingredientes para sermos uma cidade de inovação"

Gil Azevedo: "Temos os ingredientes para sermos uma cidade de inovação"

A Web Summit colocou Portugal no mapa internacional do empreendedorismo, sobretudo a nível tecnológico. E a recém-inaugurada Fábrica de Unicórnios veio dar o impulso decisivo para atrair projetos e talento. Um cenário que leva o diretor executivo da Startut Lisboa, Gil Azevedo, a afirmar que Lisboa tem todos os ingredientes para ser uma cidade de futuro e de inovação.

A Startup Lisboa assinala dez anos. Que contributo tem dado para o ecossistema empreendedor e inovador?

Se recuarmos dez anos no tempo, não havia ecossistema empreendedor em Lisboa, era muito pequeno mesmo. A Startup Lisboa teve um papel fundamental, juntamente com outros parceiros e outros players, na criação deste ecossistema. Muito desta onda internacional de startups a querer vir para Portugal começou neste esforço que estamos a desenvolver há dez anos; estamos agora a recolher os frutos.

Nesses dez anos, como olha para a produção de ideias com vista à criação de novos negócios? O paradigma tem mudado?

Mudou muito e está a mudar muito. Mudou muito porque, de facto, com a saída da troika e nos anos a seguir, surgiram projetos muito interessantes. É verdade que, com a pandemia, essa onda de projetos diminuiu, as pessoas dedicaram menos tempo a debater ideias; portanto, assistimos a uma pequena redução desses projetos. Cabe-nos agora a todos retomar a onda, neste período pós-pandemia.

Esse abrandamento faz com que seja prematuro falar em maturidade do ecossistema?

Faz parte do processo de crescimento. Tudo funciona por ciclos. Tivemos um período muito bom, agora temos algum abrandamento. Mas, como a nível internacional temos uma projeção muito maior do que tínhamos antes, globalmente começamos a crescer como ecossistema.

A vinda da Web Summit para Portugal contribuiu para esse impulso?

O papel foi fundamental, pois colocou Lisboa no mapa do ecossistema internacional. Lisboa e Portugal, neste período, são, de facto, o centro do mundo em relação a novas ideias, novos projetos, especialmente de tecnologia. A Web Summit ajudou muito a acelerar todo este processo de desenvolvimento internacional.

Com a Web Summit em Lisboa e com a atual gestão camarária a colocar o empreendedorismo entre as suas prioridades, o que podemos esperar para os próximos tempos, nomeadamente em relação à Fábrica de Unicórnios que acabou de ser anunciada?

Na Startup Lisboa temos vindo a trabalhar para desenvolver e implementar a Fábrica de Unicórnios. Em dez anos, a Startup Lisboa conseguiu dar um forte contributo no apoio a projetos ainda numa fase embrionária, mas tem faltado a Lisboa ser capaz de apoiar projetos numa escala maior. A Fábrica de Unicórnios vem dar resposta a essa necessidade, vem exponenciar o âmbito, para poder apoiar startups nas fases de crescimento, como já fazem outras geografias. Londres, Nova Iorque, Berlim já estão mais avançadas.  Também vem dar resposta à especialização que a cidade precisa de começar a ter. À medida que vamos tendo um ecossistema mais rico, de forma a conseguirmos atrair startups e projetos de dimensões maiores, temos de ser capazes de ter talento nessas áreas em quantidade suficiente e projetos em quantidade suficiente. Temos de criar centros de excelência na cidade que possam atrair projetos internacionais.

 

Que apoios contempla a Fábrica de Unicórnios? A nível financeiro ou a outros níveis?

É um conjunto de programas de apoio e também de espaços físicos, como o Hub Criativo do Beato.

O programa é muito completo a nível de apoio. Começa com formação, mas não do tipo de sala de aula. É formação muito prática dirigida aos fundadores das empresas, de modo a terem as capacidades necessárias para crescerem de forma muito rápida e criarem uma equipa muito grande num curto espaço de tempo. Inclui uma rede de mentores que permitirá, nas diversas fases de crescimento, apoiar as empresas a enfrentar os desafios que têm pela frente. Isso inclui uma ligação ao mundo corporativo, através de sinergias e de parcerias, visando criar modelos de crescimento mais rápido.

E, a nível financeiro, fazemos a ponte com investidores.

Nesta altura, temos já o potencial para atrair empreendedores estrangeiros ou a Fábrica de Unicórnios vai ser o impulso decisivo para que isso aconteça?

Uma vez mais, a nível de startups já temos essa capacidade e já temos muitos projetos internacionais em fases iniciais a mudarem-se para Portugal. A Fábrica de Unicórnios vem dar a esses projetos a capacidade de crescerem a partir de cá, mas também vai possibilitar atrair projetos em escalas maiores.

São muitas as startups com esse potencial?

Já existem. Portugal tem sete unicórnios e várias empresas em posições muito favoráveis de se tornarem unicórnios no próximo ano ou dois anos. Mas, tanto podem ser portugueses como internacionais que estejam cá e cresçam a partir de cá.

Mencionou a ponte com investidores. Tem havido adesão de grandes grupos empresariais?

Com este objetivo de conseguir apoiar projetos a crescerem de forma acelerada, mas também sustentável já fizemos parcerias com praticamente 30 das maiores empresas portuguesas e se pensarmos nas globais já são todas parceiras.

Lisboa poderá vir a ser uma capital do empreendedorismo a nível internacional?

Temos a sorte de, a nível internacional, sermos reconhecidos e de estarmos a atrair muitos bons projetos e muito talento.

Temos os ingredientes para sermos uma cidade de futuro e inovação. O que vai ser fundamental é criar condições para que esses projetos se estabeleçam e para atrair cada vez mais projetos. E esse é um dos grandes objetivos da Fábrica de Unicórnios, na medida em que potencia uma colaboração a nível público e privado, para que não seja só uma moda, mas um projeto a longo prazo. Temos essa capacidade.

 

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