Nathalie Ballan: “Sustentabilidade é um imperativo estratégico”

Nathalie Ballan: “Sustentabilidade é um imperativo estratégico”
Nathalie Ballan
Fundadora da Sair da Casca

“A sustentabilidade é um imperativo estratégico e de gestão”. Quem o afirma é Nathalie Ballan, fundadora da Sair da Casca, que é um dos parceiros da 3ª edição de “Sustainability – A Corporate Journey”, programa do ISEG que ocorre em fevereiro de 2023. A porta-voz defende que estamos no caminho para a integração entre a estratégia da empresa e a sua estratégia de sustentabilidade, apontando como desafio prioritário responder às alterações climáticas.

Quais os objetivos do programa “Sustainability – A Corporate Journey”?

É uma abordagem geral ao desenvolvimento sustentável, que junta a apresentação e reflexão coletiva dos desafios mundiais com partilha de práticas, apresentação de casos e trabalho individual para os participantes poderem adequar os conteúdos à sua vida profissional. A nossa aposta é a de conjugar inspiração, conhecimento e análise crítica com a prática. Mais especificamente: enquadrar/reforçar a integração da agenda da sustentabilidade no modelo de negócio das empresas; enquadrar o (novo) papel das empresas no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; promover a reflexão e o debate multidisciplinar sobre as tendências do desenvolvimento sustentável, na perspetiva dos cidadãos e sobretudo das empresas; enquadrar reflexões sobre os dilemas que se colocam hoje às empresas, perante os desafios societais; Introduzir o processo de definição estratégica e gestão do desempenho em sustentabilidade, através de atividades e ferramentas; e apresentar ferramentas para definir estratégia, envolver stakeholders, construir planos de ação e avaliar impactos.

Com que ferramentas ficarão os formandos dotados após a sua frequência?

Dedicamos quase um dia para abordar as relações com stakeholders e a forma de gerir estas relações; os participantes vão conhecer também os standards de reporting, o modelo lógico de avaliação de impacto e receber recomendações para evitar greenwashing na comunicação.

Entende que as empresas estão mais despertas para o tema da sustentabilidade? Que evolução tem notado nos últimos anos?

Sim, e já não é um tema, mas um imperativo estratégico e de gestão. Cada vez mais não existe diferença entre a estratégia da empresa e a sua estratégia de sustentabilidade, estamos num caminho de integração. As grandes empresas em Portugal sempre foram pioneiras, hoje são as PME que se juntam, até porque em termos comerciais devem responder às exigências dos seus clientes (as grandes empresas por exemplo), mas também porque querem assegurar o seu futuro.

A crescente relevância dos critérios ESG nas estratégias dos investidores, conjugada com as novas regras da União Europeia, cimenta o ESG como um conceito de negócio mainstream que influencia os retornos de investimento e a estratégia corporativa.

Quais os maiores desafios no sentido de enquadrar a temática da sustentabilidade e dos ODS dentro de uma organização?

A complexidade das arbitragens, raramente existe uma solução óbvia e perfeita. As empresas devem avaliar os seus impactos e perceber também como são impactadas pelos desafios mundiais. Definir prioridades relevantes. Orçamentar o custo e consequências das mudanças. E decidir. Há imensos trade off e sempre soluções com impactos negativos e positivos ao mesmo tempo.

O que é mais prioritário fazer no que concerne à sustentabilidade das empresas?

A urgência hoje e o que devia ser o desafio prioritário é a resposta às alterações climáticas, que vai ter consequências económicas, ambientais e sociais terríveis, e fragilizar ainda mais as pessoas em situação de vulnerabilidade. A resiliência e a “adaptação” deviam ser a prioridade absoluta. Portugal é dos países europeus com maior vulnerabilidade às alterações climáticas.

Os desafios são globais, tendo depois cada geografia as suas especificidades. Mas dependemos todos de cadeias de valor espalhadas no mundo e de uma economia hiper dependente dos combustíveis fosseis, pelo que devemos entender primeiro estes desafios.

Após a divulgação do mais recente relatório de avaliação do clima do IPCC e a COP26, 2022 aparece como um ano crítico para a ação climática, uma vez que os líderes políticos, os líderes empresariais e outros são desafiados a fazer mais, melhor e mais rapidamente, para travar a atual crise.

À medida que a biodiversidade sofre um novo declínio, a 15.ª Conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade, o grupo de trabalho emergente sobre divulgações financeiras relacionadas com a natureza (Task Force on Nature-related Financial Disclosures) e a proeminência da agenda da natureza na COP26 deram mais força aos alertas. Para as empresas, a biodiversidade exige respostas que abordam as ligações entre ecossistemas, alterações climáticas e valor económico.

As partes interessadas continuam a pressionar as empresas para que controlem melhor as questões da cadeia de abastecimento com impacto, por exemplo, na desflorestação e nos direitos humanos. Ao mesmo tempo, o âmbito de programas sustentáveis de gestão de cadeias de abastecimento e fornecimento enfatiza a necessidade de incorporar mais profundamente conceitos como a remuneração justa e condições de trabalho decentes.

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