Peter Thomson: urge travar o declínio da saúde dos oceanos

Peter Thomson: urge travar o declínio da saúde dos oceanos
Peter Thomson
Enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos

“A próxima fase de ação é a de implementar as soluções para parar o declínio da saúde dos oceanos e, entretanto, desenvolver todo o potencial da Economia Azul Sustentável”. Quem o diz é o enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos que, em entrevista exclusiva ao 2050.Briefing, faz a antevisão da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (UNOC), a qual terá lugar em Lisboa, entre 27 de junho e 1 de julho. Peter Thomson reconhece ainda o potencial da capital portuguesa para receber o evento.

2050.Briefing | Como enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos, como descreve o estado global dos oceanos?

Peter Thomson | A saúde dos oceanos é vital para todos nós, vital no mais literal sentido da palavra – necessária para a vida. Basta considerarmos o facto de que mais de 50% do oxigénio do planeta é produzido no oceano e temos nesta afirmação toda a veracidade que precisamos. É por isso que o meu lema diário é: "não há planeta saudável sem oceano saudável. E a saúde do oceano apresenta um declínio mensurável".

A medida do declínio é observável nas taxas de destruição de habitats; na pesca excessiva; nos subsídios dados a frotas de pesca industrial; através do fluxo poluidor de químicos e plásticos da origem para o oceano; e através de taxas crescentes de acidificação, desoxigenação e aquecimento do oceano, que levam à morte de corais em todo o mundo, à alteração das correntes marítimas, à transformação de ecossistemas marinhos e ao aumento inexorável do nível do mar.

 

Quais as questões mais urgentes que serão discutidas na conferência?

As UNOC são realizadas para apoiar o objetivo universal da ONU de conservar e usar de forma sustentável os recursos do oceano, conhecido como Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14, ou, abreviado, ODS 14. Como tal, tem de se ler as dez metas do ODS 14 para se entender como as conferências são organizadas, com o foco em objetivos como: a poluição marinha, as áreas marinhas protegidas, a economia azul sustentável, a implementação da ciência e da lei do oceano, a acidificação e o aquecimento do oceano, em simultâneo com uma gestão sustentável das pescas, incluindo a eliminação de subsídios nocivos atribuídos às mesmas.

Na UNOC 2022, iremos também enfatizar a interligação do ODS 14 com outros objetivos da ONU, tais como: a alimentação saudável, a igualdade de género, a água e o saneamento, as infraestruturas urbanas e as energias renováveis. Haverá ainda quatro eventos especiais como parte da conferência em Portugal: o Fórum da Juventude e Inovação, em Cascais, que durará dois dias; a reunião de alto nível sobre Governação ao Nível Local e Regional, em Matosinhos; o Fórum de Economia Azul Sustentável e Investimento, em Cascais; e o Simpósio de Alto Nível sobre a Água, a ter lugar em Lisboa. A interligação entre a água doce e salgada, através do ciclo hidrológico, é um aspeto central do bem-estar do nosso ambiente.

 

Qual espera que seja o principal resultado da conferência?

A primeira UNOC, que teve lugar em Nova Iorque, em 2017, foi um fator de mudança global que nos despertou a todos para a necessidade de tomarmos medidas para parar o declínio da saúde dos oceanos. Desde essa altura até à conferência deste ano, verificou-se uma profusão de interesse em todo o mundo no sentido de se abordar as causas do declínio da saúde dos oceanos, que, como sabemos, em larga medida são de origem antropogénica.

A próxima fase de ação é a de implementar as soluções para parar o declínio da saúde dos oceanos e, entretanto, desenvolver todo o potencial da Economia Azul Sustentável. Na conferência de Lisboa, lançaremos uma vasta gama de soluções baseadas na ciência, fortemente impulsionadas pela inovação e por parcerias. Participantes de todo o mundo foram convidados a trazer para a conferência o melhor das suas ideias, soluções e recursos e, pelo que tenho observado, estou confiante que o farão.

 

Quais são as expectativas em relação a Portugal, um dos países anfitrião da conferência?

Portugal e Quénia são coanfitriões da UNOC 2022 e têm vindo a preparar-se diligentemente para a conferência, de forma a garantirem o seu sucesso. Tive o enorme privilégio de trabalhar com ambos os governos nesta preparação ao longo dos últimos cinco anos.

Como uma das mais belas cidades costeiras do mundo, Lisboa é um grande local para a realização da conferência. Não tenho dúvidas de que todos os participantes da conferência irão desfrutar das muitas vantagens que Lisboa oferece e da calorosa hospitalidade do povo português.

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