Ministro do Ambiente: “Vamos ter de nos habituar a viver com menos água”

Ministro do Ambiente: “Vamos ter de nos habituar a viver com menos água”
Duarte Cordeiro
Ministro do Ambiente e da Ação Climática

Usar a água de forma mais racional para garantir que não falta. É este o caminho em matéria de gestão da água, nas palavras do ministro do Ambiente da Ação Climática, Duarte Cordeiro. No segundo ano mais seco de sempre, deixa uma certeza: “Vamos ter de nos habituar a viver com menos água.” Um alerta que vem muito a propósito do Dia Nacional da Conservação da Natureza, que se assinala a 28 de julho, com a missão de sensibilizar para a preservação e utilização sustentável dos recursos naturais.

Falando no âmbito da apresentação de um projeto-piloto de rega sustentável na Área Metropolitana do Porto, o governante frisou que a gestão da água é um desafio e uma responsabilidade de todos”: “Não tem de se inventar a roda quanto à gestão da água. A solução é mesmo não aumentar o consumo ou diminuí-lo.”

Na sua visão, “é imprescindível uma agenda política clara e permanente para a gestão da água”, com projetos inovadores, atividades empreendedoras e outras iniciativas agregadoras.

A mensagem seria reforçada por Duarte Cordeiro no contexto da 10ª Reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca. Garantindo que o país possui, pelo menos, dois anos de água para consumo de todos, foi claro na afirmação de que têm de existir prioridade de uso.

Recorde-se que, em junho, 67,9% de Portugal continental enfrentava seca severa e 28,4% vivia mesmo um quadro de seca extrema, segundo os dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

E porque a gestão racional passa por todos, o ministro lembrou que está em curso uma campanha nacional de sensibilização que visa alterar comportamentos e promover o uso eficiente deste bem tão precioso como escasso.

No que toca às prioridades, foi o próprio ministro a clarificar, ao anunciar um pacote de medidas que envolve, nomeadamente, a redução do consumo em empreendimentos turísticos.

“Não vale a pena, quem promove determinado tipo de investimentos ou infraestruturas, não ter em consideração que a água é um recurso escasso. E não temos qualquer tipo de limitação na aplicação de restrições quando tal é necessário. É o que temos feito”, justificaria, em entrevista à Agência Lusa, comentando que o mais importante é haver água para o consumo humano.

“É importante explicar que vamos ter de nos habituar a viver com menos água, todos, as atividades agroindustriais também, os setores económicos, e temos todos de olhar para aquilo que são as oportunidades que temos”, rematou o titular da pasta do Ambiente e da Ação Climática.

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