“É nossa missão formar e inspirar líderes cada vez mais humanos”

“É nossa missão formar e inspirar líderes cada vez mais humanos”
Silvia Rodriguez
Diretora Executiva das Conferências do Estoril

“Formar e inspirar líderes cada vez mais humanos e capazes de transformar os sistemas atuais obsoletos é parte da nossa missão, onde todos têm uma voz ativa, integrando o debate e fazendo parte da procura das soluções”. Esta é a visão de Silvia Rodriguez, a diretora Executiva das Conferências do Estoril, que acontecem a 1 e 2 de setembro. Em entrevista ao 2050.Briefing, sublinha a necessidade de sensibilizar todas as pessoas, defendendo que cada um, na sua esfera de atuação, tem o poder de mudar e transformar, criando impacto no seu entorno. “Quando mudamos de alguma forma acabamos por inspirar outros”, diz.

2050.Briefing | “O Reequilíbrio Do Nosso Mundo: Um Apelo À Geração Do Propósito” é o tema da edição deste ano das Conferências do Estoril. Porquê a escolha deste mote?

Silvia Rodriguez | A edição deste ano começou a ser pensada ainda em 2020 num cenário pós-pandemia em que fomos desenhando um programa que refletisse os grandes temas da atualidade, estratégia que tem sido adotada pelas Conferências do Estoril desde o seu início, como forma de responder aos desafios que o futuro de alguma forma antecipa. Está mais do que comprovado que o mundo como está hoje necessita de um maior equilíbrio e ajuste nos sistemas desenhados até então – não só ao nível da política e confiança nas instituições, como ao nível dos sistemas de educação, das empresas, da sociedade e das pessoas em geral - principalmente depois de todos assistirmos ao início do conflito Ucrânia-Rússia que ainda hoje perdura. Acreditamos que para encontramos soluções inovadoras temos de trazer todos para o diálogo, estreitando colaborações num objetivo e propósito comum de melhorar e transformar o mundo. Um caminho que é de todos, e não apenas de alguns, num apelo à geração do propósito – uma geração de líderes unidos não pela idade, mas pela missão e vontade de mudar e criar impacto positivo no mundo nas mais diversas áreas onde atuamos.

Qual é a importância de trazer os mais jovens para este debate?

Os jovens representam o futuro e sabemos que, mais cedo ou mais tarde, estes jovens estarão nas organizações e instituições, a assumir cargos de liderança, onde poderão fazer a diferença na forma de inovar, empreender e tomar decisões face aos desafios que irão encontrar. Formar e inspirar líderes cada vez mais humanos e capazes de transformar os sistemas atuais obsoletos é parte da nossa missão, onde todos têm uma voz ativa, integrando o debate e fazendo parte da procura das soluções. Aliás, temos estado a trabalhar muito de perto com os alunos da Nova SBE, através dos clubes que eles próprios lideram e dinamizam, na construção do programa para esta edição das Conferências do Estoril, e tem sido um privilégio ouvi-los e olhar para os desafios do futuro através dos seus olhos e perspetivas que, por vezes, muito nos surpreendem. Os jovens representam uma parte essencial da nossa sociedade, pelo que devem ser ouvidos e considerados, como forma de se sentirem envolvidos naqueles que são os desafios que irão encontrar daqui a não muitos anos.

Qual é a geração de propósito? É especialmente necessário sensibilizá-la para estas temáticas?

A geração do propósito não se define pelo intervalo de idades, mas sim uma geração que vive inspirada para agir, mudando e encontrando soluções para o que não se encontra ajustado à realidade atual, em prol de um mundo mais justo, equilibrado e saudável. Sendo esta a definição do que é, para nós, a geração do propósito, faz todo o sentido sensibilizar esta “geração” para se unir numa missão comum de reequilibrar o mundo trazendo as experiências e perspetivas únicas de cada um, com lições de sucesso e insucesso, como forma de inspirar e apoiar outros no seu caminho. Uma comunidade ativa, dispersa pelo mundo, que multiplica esforços numa estratégia assente em desafiar os sistemas e encontrar respostas para os grandes temas da atualidade.

De que forma pode o cidadão, de todas as gerações, ser um agente de mudança para reequilibrar o mundo para um futuro mais sustentável e inclusivo?

Cada um, na sua esfera de atuação, tem o poder de mudar e transformar, criando impacto no seu entorno: quando mudamos de alguma forma acabamos por inspirar outros. Pelo que, se tivermos consciência e conhecimento dos desafios que o mundo enfrenta hoje, e que irão persistir para o futuro caso nada façamos, acredito que não poderemos ficar indiferentes à mudança e despertará em cada um a vontade de agir. Há quem tenha os seus ideais bem definidos nas áreas políticas e alterações climáticas, outros defendem a igualdade e inclusão nas empresas e na sociedade, mas todos de alguma forma acreditam que há soluções e esperança para um mundo melhor e mais equilibrado nas mais diversas áreas. Para ser um agente de mudança diria que é importante perceber qual a motivação que move cada um, onde o acesso a informação de qualidade é crucial nos dias de hoje, integrando iniciativas, projetos e organizações com as quais se identifiquem, pois é na colaboração e na união de esforços que as mudanças acontecem.

Além da necessidade de paz e de combater as alterações climáticas, que problemas devemos levar mais a sério? 

As pessoas, um tema que tem vindo a ser debatido cada vez mais nos dias de hoje. O ser humano no centro do mundo como uma das grandes preocupações da atualidade. A saúde física e prevenção, a saúde mental, o equilíbrio nas diferentes áreas da vida, a pobreza extrema e desigualdades que ainda subsistem nos dias de hoje (entre outros) são alguns dos problemas que tocam no tema Pessoas e que não podemos deixar passar despercebidos Vivemos num mundo em constante evolução e transformação, e temos de estar preparados e disponíveis para a mudança a qualquer segundo. Nos últimos tempos, temos vivido momentos de intensidade ao nível emocional e psicológico com o que se passa no mundo e ao nosso redor, o que requer que, cada vez mais, procuremos em nós as forças e competências que nos permitem sobreviver em fases de crise e caos. Encontrar o equilíbrio na forma de liderar e enfrentar os desafios, rever sistemas de educação, e promover uma liderança mais humana e com propósito, onde a tecnologia é colocada ao dispor e serviço do ser humano para um mundo melhor e mais inovador. Estes são alguns dos temas que iremos centrar a discussão no primeiro dia das Conferências do Estoril no contexto das Pessoas e do Planeta, e no segundo dia, no dia 2 de setembro, temas à volta da Paz para o mundo.

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